O que foi a Escola de Frankfurt? Entenda o papel da Indústria Cultural e da Teoria Crítica

“Mr. Gorbachev, open this gate. Mr. Gorbachev, tear down this wall”. Com essas palavras, o presidente Ronald Reagan pedia a destruição do Muro de Berlim. Em 1989, o muro caiu. O capitalismo e os valores do Ocidente pareceram vitoriosos sobre o socialismo. Mas outra realidade é descoberta quando se estuda o que foi a Escola de Frankfurt e a Indústria Cultural.

O que você vai aprender neste artigo?

  1. Contexto histórico da Escola de Frankfurt;
  2. O que foi a Escola de Frankfurt;
  3. Como a Escola de Frankfurt surgiu;
  4. Qual foi o objetivo da Escola de Frankfurt;
  5. A influência do Marxismo Cultural;
  6. A função da Teoria Crítica;
  7. Escola de Frankfurt e Indústria Cultural;
  8. Resumo das principais características da Escola de Frankfurt;
  9. Principais pensadores da Escola de Frankfurt;
  10. A destruição da família.

Contexto histórico da Escola de Frankfurt

A Escola de Frankfurt está inserida no contexto histórico do século XX. Mesmo diante das guerras mundiais, os trabalhadores não se uniram contra seus patrões como Marx previu. Além disso, por causa da revolução Russa, as discussões sobre a implementação de regimes socialistas estavam se fortalecendo. 

A queda do Muro de Berlim não significou o fim das ideias socialistas. Pelo contrário, seu aparente fim serviu para que elas se fortalecessem no Ocidente. Não há dúvidas de que os Estados Unidos venceram militarmente, mas a verdade é que o povo americano entregou sua cultura ao inimigo

Todavia, antes de entender o que foi a Escola de Frankfurt, é preciso retomar o socialismo tal qual Marx o concebeu, um aspecto da filosofia de Hegel e as principais características da cultura ocidental.

O socialismo de Karl Marx

Karl Marx defendeu que a sociedade era injusta por explorar o trabalhador. Para vencer essa injustiça, acreditou que a solução estava no método revolucionário. Ele esperava que a classe trabalhadora tomasse o governo à força, com violência, e implantasse a ditadura do proletariado.

Marx descreveu uma ditadura necessária e provisória, que controlaria os meios de produção, até então em posse dos burgueses, a fim de acabar com a desigualdade.

Quando tudo estivesse sob controle, a sua ideia era que a sociedade passaria a não precisar de governo. Também não haveria classes. Esse seria o estágio do comunismo.

Em O Manifesto do Partido Comunista, ele convocou os proletários a se unirem, porque imaginou que os trabalhadores dos diversos países europeus lutariam juntos contra o capitalismo.

Ele acreditou que o capitalismo seria o próprio responsável pelo seu fim e que os operários iriam unir forças em uma grande revolução. Nada disso aconteceu e, após as guerras, o capitalismo assumiu outras formas e se fortaleceu.

Com a I Guerra Mundial, o proletariado não se uniu contra seus patrões, mas sim uns contra os outros. 

A crise do marxismo levantou uma questão:

Quem alienou os trabalhadores?

Segundo Marx, um alienado é aquele que abdicou dos seus direitos de classe e os deu a outra pessoa. É a situação de quem não luta por si, mas luta pelos outros.

A civilização ocidental foi considerada culpada.

Tese e antítese em Hegel

O princípio da filosofia hegeliana é que o mal possui uma força criativa. Cada vez que ideias são confrontadas, isto é, teses contra antíteses, surge uma síntese superior, melhor.

Hegel acreditava que não havia uma verdade absoluta, pronta e objetiva. Sempre haverá um embate entre as ideias, e uma nova e melhor surgirá como resultado.

Por conseguinte, o mundo sempre estará mudando a forma de pensar, contato que as ideias sejam combatidas por opostos, a fim de que surjam novas ideias, as sínteses. Todavia, elas não permanecerão assim, pois aparecerão outras as contrariando e assim por diante….

A cultura ocidental

O Ocidente é sustentado pelo encontro de Jerusalém, Atenas e Roma. A ética judaico-cristã, a filosofia grega clássica e o pensamento jurídico romano formaram uma única identidade. 

Em suma, a cultura ocidental reconhece uma moralidade objetiva, a relação do homem com Deus, sua essência e seus direitos naturais. 

Mas basta ler alguns autores explicando o que foi a Escola de Frankfurt para perceber que o pensamento que dela surgiu contraria tudo isso.

O que foi a Escola de Frankfurt?

A escola de Frankfurt foi uma escola de pensamento que surgiu como um Instituto de Pesquisas Sociais na Universidade de Frankfurt na Alemanha. Desde o princípio, ela foi criada com a finalidade de destruir a cultura ocidental, atacando o capitalismo, as vivências religiosas e a tradição clássica. 

O marxismo original foi adaptado para que influenciasse o Ocidente e mudasse a cultura por meio das ideias e da linguagem, alterando os hábitos das pessoas.

Os principais pensadores da Escola de Frankfurt eram filósofos ou sociólogos marxistas, como: 

  • Max Horkheimer;
  • Friedrich Pollock;
  • Theodor Adorno;
  • Herbert Marcuse;
  • Erich Fromm;
  • Jurgen Habermas;
  • Wilhelm Reich.

As ideias desses teóricos permanecem vivas nos dias de hoje, sobretudo nas universidades e nas grandes mídias de comunicação. A partir do ensino acadêmico e da formação de novos profissionais, as ideias frankfurtianas permeiam a cultura.

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Como a Escola de Frankfurt surgiu?

Antonio Gramsci viu, na URSS, os limites da teoria marxista. Foi quando entendeu que era preciso mudar a cultura para implantar nas pessoas a mentalidade socialista. Deve-se a ele o marxismo cultural.

Entretanto, restava ainda a necessidade de estudar como implantar o marxismo na mentalidade das pessoas.

Em 1923, Felix Weil, filantropo e acadêmico alemão de origem argentina, fundou um Instituto de Pesquisa Social na Universidade de Frankfurt. Fez isso unido a Georg Lukács, um filósofo marxista. 

A função do instituto era estudar a civilização ocidental para entender como destruí-la. Efetivamente, sua fundação ocorreu em 22 de junho de 1924, colocando em prática o que no ano anterior eram apenas ideias.

Seis anos mais tarde, em 1930, outro teórico marxista assumiu o cargo de diretor da Escola de Frankfurt, Max Horkheimer, de quem ainda se falará.

Em 13 de março de 1933, o Instituto frankfurtiano foi fechado pelo governo prussiano, na ausência de seus diretores Max Horkheimer e Friedrich Pollock. Alguns meses mais tarde, o edifício foi expropriado e cedido para a utilização da Liga Estudantil Nacional-Socialista.

  • Leia também sobre os projetos de comunismo mundial da Internacional Comunista, inclusive considerando o Brasil em seus projetos.

Já na década de 40, durante a Segunda Guerra Mundial, muitos integrantes judeus da Escola de Frankfurt se transferiram para Genebra, Suíça; Paris, França e Nova Iorque, EUA. A mudança compulsória que sofreram foi a ocasião para a difusão de suas ideias nos outros países.

Qual foi o objetivo da Escola de Frankfurt?

Tratando-se de uma escola de análise e pensamento filosófico, o objetivo da Escola de Frankfurt foi destruir a cultura ocidental a partir de uma ótica marxista

Fundamentalmente, os pensadores de Frankfurt, desenvolveram dois importantes conceitos:

  • Teoria crítica;
  • Indústria cultural.

Ambos os conceitos precedentes envolvem ideias filosóficas com finalidades sociais, isto é, ideias pensadas para serem aplicadas na sociedade. 

  • Entenda como a sociedade pode ser manipulada por meio das estratégias da Janela de Overton.

A influência do Marxismo cultural

Os principais pensadores da escola de Frankfurt reconheceram que a teoria marxista tradicional não poderia explicar o desenvolvimento das novas sociedades capitalistas, nem impedi-las.

Por considerarem os seguidores de Marx apenas repetidores de ideias, buscaram ir além da defesa do partido e do comunista.

Somou-se a isso uma percepção que tiveram: a revolução não iria atingir o sucesso pleno e mundial que Marx descrevera. Ao menos, não conseguiria pela violência, fosse causada pelas guerrilhas ou por governos ditatoriais. 

O marxismo original foi complementado com a psicanálise freudiana, a filosofia existencialista e a filosofia da linguagem.

A própria ideia positivista foi desacreditada. De acordo com os positivistas, o avanço moral da sociedade caminharia lado a lado com o avanço da ciência e da escolarização. Apesar disso, o aumento das tecnologias, do conhecimento e da educação não impediu as guerras.

Era preciso mudar o foco.

Antonio Gramsci

Gramsci foi pioneiro compreendendo que era necessário destruir a cultura ocidental em vez de tomar o governo pelas armas. Sua ideia era dominar a cultura sem que a estratégia fosse descoberta. 

A mudança cultural deveria ter a aparência de luta pela dignidade e liberdade do homem. Ele defendeu que o início da nova sociedade só aconteceria mediante a mudança interior das pessoas.

Gramsci e a escola de Frankfurt descobriram que a cultura é, de alguma forma, uma religião exteriorizada.

Por conseguinte, o marxismo cultural não envolve a luta armada, mas sim a posse da cultura, de forma que as pessoas passem a enxergar o mundo de forma dividida, como se a história apenas fosse formada por opressores e oprimidos.

Mas como conduzir as pessoas a abandonar a herança tradicional que haviam recebido?

A função da Teoria Crítica

Os estudos filosóficos da Escola de Frankfurt ficaram conhecidos como Teoria Crítica, opondo-se à Teoria Tradicional. A primeira foi criada para ser neutra, a última para destruir a realidade e reconstruí-la seguindo a ideologia marxista.

Tradicionalmente, estudavam-se os conceitos e apenas depois de entender a realidade de forma objetiva e verdadeira, analisava-se quais ações eram necessárias para gerar alguma mudança.

A Teoria Crítica, diferentemente, critica o máximo possível as condições sociopolíticas e econômicas, focando não na análise da realidade, mas sim na crítica em primeiro lugar. Na dialética hegeliana, a crítica recebeu ainda mais força.

O importante é criticar o máximo possível, desconstruir, rejeitar, ridicularizar e ocultar o máximo possível dos valores ocidentais. O modo de operar frankfurtiano não é construtivo, é sempre destrutivo.

A religião, a moral, a filosofia grega e até mesmo as teorias marxistas clássicas são atacadas.

A Teoria Crítica é a politização da lógica. Horkheimer declarava que a lógica não é independente do conteúdo, mas sim que é um instrumento político. Este raciocínio aplicado significa dizer que um argumento lógico apoia a destruição das bases culturais do ocidente. Por outro lado, se as defende, é ilógico.

Surgiu também a noção do politicamente correto, que despreza o debate aberto e sem censura. Quanto mais o discurso for censurado e impedido de chegar às pessoas, mais facilmente se distorce a realidade para fins ideológicos.

Os principais pensadores da Escola de Frankfurt consideravam que a verdade é algo impossível de ser encontrado. Sendo assim, ensinaram que as ideias precisavam sempre estar em choque, como explicado na filosofia de Hegel.

A teoria crítica é ensinada principalmente nas universidades, para que os estudantes aprendam a rejeitar a civilização ocidental e tudo o que ela representa. Acreditam que somente assim o homem será livre e o mundo, um lugar melhor. 

Um problema maior ainda é que os pensadores de Frankfurt não tinham um projeto para ser aplicado após a destruição.

Seguindo os passos de Hegel, esses neomarxistas esperavam que da ruína, do caos, a ordem surgisse de alguma maneira desconhecida.

Para Horkheimer, o objetivo da teoria crítica era:

“libertar os seres humanos das circunstâncias que os escravizam.

Escola de Frankfurt e a Indústria cultural

De acordo com a teoria formulada na Escola de Frankfurt, a sociedade está permeada de uma lógica proposital, que cria um padrão artístico e cultural da mesma forma que uma fábrica produz seus bens em uma esteira de produção.

Os valores tradicionais, capitalistas e burgueses, padronizados, perpetuam-se pela indústria cultural. Tudo é produzido para sustentá-los.

As relações trabalhistas consolidadas por anos somadas aos meios de comunicação, dizem os frankfurtianos, manipulam as pessoas sem que elas percebam.

Theodor Adorno e Max Horkheimer defenderam que essa é uma das maneiras usadas pela cultura capitalista para dominar a sociedade. 

Por tudo isso, a indústria cultural é uma forma do capitalismo manter as pessoas alienadas, produzindo uma cultura que não resolve as injustiças sociais entre as classes.

Os pilares da indústria cultural são basicamente três:

  • Cultura erudita;
  • Cultura popular;
  • Cultura de massa.

A erudita é produzida por uma elite cultural, refinada, com alto valor estético e mais elaborada. Para os pensadores de Frankfurt, ele deveria ser preservada e usada como meio para atingir as camadas intelectuais com as ideias marxistas.

A popular também é considerada autêntica. Ela está vinculada às culturas tradicionais intuitivas, vividas pelo povo, sem refinamento técnico. Igualmente, é um meio para garantir que a desconstrução ocidental alcance as camadas populares.

A de massa é considerada inautêntica, porque é entendida como o resultado da fusão dos elementos capitalistas. Segundo os teóricos de Frankfurt, ela é pensada para perpetuar o domínio burguês em todas as classes sociais. 

A função da cultura de massa é entreter as pessoas para que se distraiam dos verdadeiros problemas. Por essa razão, deve ser destruída e o instrumento é a crítica.

A dialética de Hegel é o meio de combate, para que dele surja algo melhor. 

Na escola de Frankfurt, considera-se que os trabalhadores não se uniram contra os que os oprimiam porque estavam embebidos da cultura de massa, que os impediu de lutar.

A conclusão que se obtém destes pensadores é que a militância, a revolução cultural e uma nova educação artística são fundamentais para a libertação da opressão que atinge a sociedade.

Resumo das principais características da Escola de Frankfurt

As principais características da Escola de Frankfurt possui são:

  1. Influência marxista com reformulações da psicanálise, linguística e existencialismo;
  2. Inspiração de teóricos marxistas como Marx, Gramsci, Sartre, Hegel, Freud, Lukács, Kant e Weber;
  3. Finalidade de destruição da cultura ocidental;
  4. Oposição ao sistema capitalista, ao cristianismo, à filosofia grega e ao direito romano;
  5. Instrumentalização da ciência para uso ideológico;
  6. Relativismo;
  7. Difusão do pensamento crítico pelas mídias, livros, escolas e universidades;
  8. Adoção do hegelianismo, que busca o poder criativo do mal;
  9. Libertação do ser humano pelo prazer, educação, arte, militância e revolução cultural;
  10. Adesão ao antipositivismo, anticonservadorismo, teoria crítica e indústria cultural;
  11. Tática de alteração da cultura de forma não imediata, mas lenta e gradativa ao longo de gerações.

Principais pensadores da Escola de Frankfurt

  • Max Horkheimer (1895-1973): filósofo e sociólogo. Junto com Adorno, desenvolveu o conceito de Indústria Cultural, presente no livro A Dialética do Esclarecimento.
  • Theodor W. Adorno (1903-1969): filósofo, sociólogo e músico. Autor dos livros Dialética Negativa e A Ideia de História Natural. Defendeu a educação como forma de emancipação do sujeito.
  • Friedrich Pollock (1894-1970): filósofo, sociólogo e economista. Foi cofundador do Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt. Seus trabalhos mais proeminentes estudam as relações entre capitalismo e Estado.
  • Herbert Marcuse (1898-1979): sociólogo e filósofo. Dedicou-se a apontar as relações entre capitalismo e sexualidade, bem como as questões envolvendo raça e exclusão social.
  • Erich Fromm (1900-1980): psicanalista, filósofo e sociólogo. Utilizou bases do pensamento marxista aliadas aos elementos da psicanálise. Em seus trabalhos, ele analisou as relações sociais, a família e outros elementos que interferem na formação da pessoa.
  • Jürgen Habermas: (1929) filósofo e sociólogo ainda vivo. Fez parte da segunda geração da Escola de Frankfurt. Seus trabalhos analisam as relações entre política, comunicação, linguagem e discursos.

Max Horkheimer e Theodor W. Adorno

Horkheimer e Adorno se empenharam em convencer os americanos de que eles próprios eram os grandes fascistas da história. Juntos, escreveram o livro A Personalidade Autoritária.

A intenção com a obra foi ligar a civilização ocidental ao fascismo, fazendo crer que o capitalismo, a civilização ocidental e o cristianismo eram a fonte do mal.

A difusão dos propósitos da Escola de Frankfurt encontrou apoio na criação de um inimigo. 

Os americanos eram fervorosos defensores da liberdade e eram fortemente contrários ao fascismo. Por essa razão, levá-los a crer que tinham atitudes fascistas na própria cultura era o caminho para mudar seus pensamentos e hábitos.

A américa começou a ver em seus valores mais ricos, os mesmos que os fortaleciam diante do mundo, símbolos de autoritarismo que deveriam terminar. 

O livro A Personalidade Autoritária inclusive apresenta os graus que marcam os traços fascistas em cada pessoa.

  • Entenda melhor como esse projeto deu certo nos Estados Unidos. Assista à trilogia O Fim das Nações. Nela, é retratado o que aconteceu com os americanos por receberem essas ideias.

Friedrich Pollock 

Pollock elaborou a vertente económica do projeto da teoria crítica e ficou conhecido por seus estudos sobre o capitalismo de Estado.

Em 1941, em seu livro State capitalism: its possibilities and limitations, ele defendeu que vários países da Europa e os Estados Unidos estavam transitando do capitalismo privado para o capitalismo de Estado.

Neste novo modelo, o mercado foi retirado de sua função de coordenador da produção e da distribuição. O substituto foi o Estado. Por essa razão, os meios econômicos foram substituídos pelos meios políticos. 

O capitalismo de Estado, segundo Pollock, pode ser totalitário, como o nacional-socialismo; ou democratico, como na América. De qualquer forma, o poder político se sobrepõe à economia.

Philipp Lenhard, editor das obras reunidas de Pollock na Alemanha, considera que “a teoria do ‘capitalismo de Estado’, também chamada mais tarde de ‘mundo administrado’ ou ‘capitalismo tardio’, marca o verdadeiro início da Teoria Crítica”.

De acordo com Pollock, abandona-se, assim, uma era predominantemente econômica para se alcançar uma era predominantemente política.

Herbert Marcuse

Herbert Marcuse escreveu Eros e Civilização na década de 50. Nesta obra, traçou um programa de revolução hippie, sexual e a estratégia pacifista.

Ele uniu os pensamentos de Marx e Freud e alcançou, como conclusão, a tese de que o americano é agressivo porque reprime o sexo. Ora, a solução proposta por Marcuse, diante desse resultado, foi abandonar os tabus sexuais.

Segundo ele, o homem faz guerras por causa de sua agressividade, resultante de não fazer sexo. Logo, se fizesse sexo sem restrições, seria menos agressivo e não provocaria guerras.

Marcuse escreveu que a repressão sexual era um instrumento de manutenção do capitalismo. Não foi atoa que a revolução hippie foi fruto de seu pensamento. O slogan “Paz e Amor” torna-se auto explicativo nesse contexto, bem como “Faça amor, não faça guerra”.

Com os jovens vivendo os prazeres de forma livre e sem impedimentos, seriam mais pacíficos e não fariam guerras, levando o sistema capitalista à ruína. O mesmo se aplica às intenções de Woodstock.

A Escola de Frankfurt buscou realizar a revolução marxista alterando a forma das pessoas lidarem com sua sexualidade. O problema era o pressuposto de que, com o fim da moral sexual, a que surgiria seria melhor.

A transgressão dos jovens foi acompanhada do uso de drogas, em altas doses. A realidade foi a da doença e da depressão, do vício, do hedonismo e, no pior dos casos, a perda do sentido da vida.

Sobre estas consequências, veja os artigos sobre:

Erich Fromm

A partir do final da década de 1920, ele representou um socialismo democrático e humanista influenciado principalmente por Freud e Marx.

Suas contribuições foram maiores no que ficou conhecido como psicanálise humanística. Ele abordou o que considerava as necessidades básicas do ser humano: a de liberdade e a de pertencimento. 

A partir disso, descreveu as possíveis personalidades das pessoas, os tipos receptivos, exploradores, acumuladores, marqueteiros, necrófilos e produtivos. Segundo Fromm, apenas os produtivos eram autênticos por saberem cuidar da própria auto-estima antes de cuidar dos outros.

Outro tema sobre o qual escreveu foi sobre o fardo da liberdade, que vem carregada de limitações, dores e sofrimento.

Dissertando sobre os dilemas humanos, explicou que as pessoas sofrem por pensarem sobre a morte, por buscarem uma autorrealização impossível e por se sentirem isoladas. 

Humanismo socialista, trabalho menos sofisticado entre os colegas participantes da Escola de Frankfurt. 

Tudo isso ele chamou de dicotomias existenciais, que muitos resolvem pensando que existe uma vida após a morte, como forma de significar a vida. 

Jurgen Habermas

Seu conteúdo filosófico não foi tão preponderante como o dos demais. Sua importância é ancorada no fato de que ele foi o diretor da propagação do marxismo cultural nas universidades alemãs. 

O sucesso foi alcançado já na década de 50. O que já dominava a Alemanha Oriental alcançou a Ocidental com dinheiro do governo e de organizações milionárias.

Em sua produção teórica, o que mais se destacou foi sua distinção entre pensamento propositivo racional e o pensamento comunicativo

O primeiro seria um pensamento lógico dirigido a um fim para produzir resultado definido. O segundo seria baseado na busca de um vago consenso de harmonia entre as pessoas.  

Habermas e todos os outros pensadores que criaram ou participaram da Escola de Frankfurt, apesar de focos em áreas de estudo diferentes, tinham o mesmo objetivo: destruir o modelo de família ocidental.

A destruição da família

Para o pensamento marxista, a família é uma instituição burguesa que perpetua valores opressores. A família é uma entidade que cria os filhos de forma autoritária, gera adultos submissos, obedientes e dependentes. 

Ela precisa ser extinta, porque impede a revolução, já que se baseia na propriedade privada, na opressão patriarcal e na ética social burguesa.

  • O problema da propriedade é que ela passa para os herdeiros e não é dividida entre os que não tem propriedades, o que mantém a desigualdade.
  • O problema da dita opressão patriarcal é que ela institui a desigualdade entre homens e mulheres.
  • O problema da ética sexual burguesa é que ela considera o matrimônio somente entre o homem e a mulher.

Em suma, a família replica o fascismo por causa do que ensina, como foi explicado. Baseando-se nesses pensamentos, a Escola de Frankfurt entendeu onde deveria atuar para desfazer a educação que os filhos recebiam em casa.

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A instrumentalização das universidades

Para controlar a cultura, é fundamental controlar a linguagem e as ideias. Disso decorre a infiltração nos canais institucionais, como a mídia e a educação.

  • Se você ainda não conhece a Janela de Overton, leia sobre ela. Trata-se de uma estratégia de manipulação da opinião pública.

Com a revolução cultural deve ser lenta e gradual, dando a impressão de naturalidade, o melhor caminho seria formar profissionais para as gerações futuras. No Brasil, por exemplo, há décadas dominando o sistema de ensino e a mídia, o pensamento socialista já possui hegemonia cultural.

  • Isso está presente na educação, com o método de Paulo Freire. Veja mais sobre isso na trilogia Pátria Educadora.

Pela política, alcançou-se a dominação de espaços e da classe falante: jornalistas, cineastas, psicólogos, padres, juízes, políticos e escritores.

O ensino nas escolas e faculdades está vinculado ao projeto de destruição da família. Para tirar a autoridade dos pais, é preciso ensinar diferente deles em todos os níveis de ensino, é preciso reprogramar a sociedade.

Por meio de uma educação controlada, consegue-se um ensino igual, que exclui o pensamento independente.

Estudantes em todo o país aprendem política em sala de aula, mas não o conteúdo em si. Aprendem a criticar os governos que se opõem ao socialismo e consideram um inimigo quem os defende. 

O debate com os opositores das ideias marxistas não é incentivado, antes evitado. Quem pensa de forma contrária deve ser denunciado, acusado, mas não ouvido.

Já tendo percebido o que foi a Escola de Frankfurt, não é difícil perceber o abandono da tradição grega, patrística, escolástica e até a moderna. Aristóteles, Santo Tomás de Aquino e até mesmo modernos como Hegel, Fichte, Schelling e Goethe foram deixados de lado.

Nenhuma dessas filosofias seria necessária se as regras do “pensamento correto” da Escola de Frankfurt fossem seguidas. 

Combate à religião

O cristianismo representa, para os pensadores de Frankfurt, uma ameaça, porque mantém a crença na ficção chamada Deus, que mantém as pessoas alienadas.

Ter uma religião, suportar o sofrimento e esperar uma vida melhor após a morte deveriam ser atitudes e crenças intoleráveis. O modo de vida baseado na fé foi considerado distração à miséria causada pelo capitalismo.

Na Escola de Frankfurt, não é Deus, mas sim o homem o ser que merece reverência. Segundo seus teóricos, o homem é um produto da natureza como todos os outros animais, sem espiritualidade, mas igualmente guiado por seus instintos mais básicos.

Quanto à moralidade como a religião a ensina, havendo certo e errado objetivos, bem como verdade e mentira objetivas, foi considerada inexistente. Bom é o que favorece a revolução, mau o que a atrapalha.

Isso leva a outra consequência.

Descriminalização do crime

Desacreditar na moralidade, no livre arbítrio e na responsabilidade do homem foi a base teórica para descriminalizar o crime. Habermas foi um dos pensadores que defendeu que o homem é produto da sociedade.

Somou-se a essa crença, outra: é inevitável que o ser humano se comporte segundo seus instintos animais e ceda a tendências consideradas criminosas. No entanto, a culpa é do sistema capitalista que o deixou assim, não dele mesmo. 

Esta é uma das origens do pensamento de que o criminoso não é culpado, sendo, na verdade, vítima da sociedade.

Quem se arvora em estudar o que foi a Escola de Frankfurt encontra esses raciocínios sobre a cultura. A promessa era a de que se alcançaria liberdade, justiça e igualdade.

Mas não foi revelado como conseguir nada disso, porque o foco dos pensadores de Frankfurt é desconstruir, não construir. 

Comente e compartilhe. Quem você acha que gostará de ler sobre o que foi a Escola de Frankfurt?

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