Artigo 142 não basta para cuidar da nossa Guerra Civil

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Por Jorge Serrão serrao@alertatotal.net

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Saiu ontem na imprensa internacional: 20 ex-Generais alertam o presidente francês Emmanuel Macron sobre o risco real de guerra civil. Em carta aberta, os militares exortam as autoridades a agirem antes que a violência seja desencadeada pelo caos crescente. As medidas erráticas tomadas, em todo planeta, no combate à “pandemia” (com altos indícios de “fraudemia”) agravou o clima de pandemônio.

Novidade? Nenhuma. Quem quiser é só trocar o nome de Macron por Joe Biden (EUA), Alberto Fernández (Argentina), Sebastián Piñera (Chile), Nicolas Maduro (Venezuela), Jair Bolsonaro (Brasil) e tantos outros. Todo mundo enfrenta guerras civis – umas mais explícitas e intensas, e outras nem tão evidentes ou declaradas. O fundamental é que essas guerras (sobretudo as de quinta geração) são assuntos que merecem a atenção das sociedades, e não apenas dos militares – servidores estatais fardados, armados e preparados física, legal, psicológica e intelectualmente para lidar com o problema.

Em Bruzundanga, País no qual a Democradura Genocida da Nova República, desde 1985, já assassinou ou desapareceu com pelo menos dois milhões pessoas (conforme diferentes estudos oficiais), ainda tem gente que fica espantada ou “PT da vida” quando o Presidente da República(?) vem a público advertir que está pronto para acionar o artigo 142 da Constituição Federal, “se o Brasil mergulhar no caos”. A indagação deveria ser por que ainda não decretou, já que, além de guerra civil não-declarada, também enfrentamos um processo de secessão (ruptura) institucional, na guerra aberta de todos contra todos os poderes, inviabilizando a governabilidade e a paz social.

A inadequação para o exercício do Poder está conduzindo o Brasil para o aprofundamento de uma guerra civil já em curso, com genocídio de brasileiros e destruição de oportunidades econômicas. É fundamental e imprescindível uma contraofensiva estratégica de comunicação para neutralizar, conter e impedir tal movimento radical e ilegítimo de desmonte do País.

Além de perdas de vidas, do desastre econômico e da dificuldades de governar, os brasileiros precisam saber que existe risco concreto de desintegração e fragmentação do território nacional, em médio prazo. O processo precisa ser contido, em uma ação combinada e inteligente dos estrategistas militares com segmentos esclarecidos da sociedade que não aceitam o jogo simplista, covarde e criminoso do extremismo ideológico. 

Seguidores da “religião” proposta pelo italiano Antônio Gramsci), os gramscianos operam e entendem, perfeitamente, como ocorre todo o processo de contra-hegemonia cultural. Seus agentes conscientes e inconscientes se mostram preparados para a guerra de quinta geração, embora ninguém garanta que estejam prontos para enfrentar as consequências de uma guerra civil que ajudam a deflagrar. O mais preocupante é que a sociedade brasileira sofre as consequências do problema, mas a maioria não consegue entender a natureza do caos. Assim, “soluções” tendem a aparecer por milagre ou – o que é mais provável – nem vão surgir.

O roteiro caótico está bem previsível. Em meio ao agravamento da guerra de todos contra todos os poderes, já sentimos o gosto amargo e os desastres práticos do caos. Politicamente, caminhamos para um aumento da polarização e radicalização, na disputa entre o bolsonarismo e petralhismo (ops, petismo), enquanto o Estamento Burocrático (que parece rejeitar ambos) tenta inventar uma Terceira Via que pode nem se viabilizar a tempo da disputa presidencial de 2022. Tudo vai depender muito do resultado real e da sensação econômica. Por enquanto, a gente só sabe que “a morte de um CNPJ pode significar a morte de vários CPFs”. O resto é uma grande incógnita.

Enquanto a maioria fica iludida pelo extremismo do jogo eleitoreiro, os gramscianos e (acima de tudo, seus financiadores) fazem seu dever de casa direitinho (ou melhor, esquerdinho), acelerando as transformações da linguagem para gerar as pré-condições psicossociais e preparar o terreno para uma resignificação e redesenho do Brasil. A intenção clara é promover uma fragmentação para facilitar a futura forma de dominação. O processo vai assimilar e reinventar o próprio Establishment, trocando ou “renovando” peças do xadrez aristocrático e oligárquico.

Os segmentos esclarecidos da sociedade precisam acordar para os problemas reais, acelerando o processo de pensar soluções concretas, verdadeiras, para definir um Projeto Estratégico para o Brasil. Atualmente (na realidade há bastante tempo), a maioria parece perdida no espaço. Sobrevive perdendo tempo com a discussão inútil e improdutiva das consequências, em vez de entender e enfrentar as causas e os agentes reais que produzem o caos.

Em resumo: Não adianta pedir (nem decretar) “intervenção militar”, aplicando o artigo 142, depois que o pirão tiver desandado, com explosões explícitas de violência, desordem pública e ingovernabilidade. Clemenceau já advertiu: ”A guerra é importante demais para ser deixada na mão dos militares”. Sorry, Forte Apache…

Até o Establishment – cujas peças serão substituídas e repostas por “novas” (mesmo que de mentalidade “velha”) – nunca se mostrou tão apavorado e fragilizado. Se não conseguir derrubar Bolsonaro, nem cooptá-lo completamente, o Estamento Burocrático e os gramscianos vão partir para a ignorância, “incendiando” o Brasil.

As consequências? Danem-se elas! O poder pelo poder justifica qualquer coisa. O regime do Crime Institucionalizado segue no comando. Os Bandidos Organizados têm a força! O Brasil desanda em ritmo de “depois a gente vê a merda que vai dar no final”…  

Procura-se por um povo adulto

Oportuna lembrança do empresário Fábio Chazyn – colunista habitual deste Alerta Total:

“É hora de lembrar as sábias palavras do De La Boétie, autor do livro “Discurso sobre a Servidão Voluntária” em 1549 quando tinha 18 aninhos: “nem é preciso combater o tirano, nem se defender dele, pois ele será destruído no dia em que o país se recuse a servi-lo. Não é necessário tirar-lhe nada, basta que ninguém lhe dê coisa alguma. Não é preciso que o país faça coisa alguma em favor de si próprio, basta que não faça nada contra si próprio. … É o povo que se escraviza, que se decapita, que, podendo escolher entre ser livre e ser escravo, se decide pela falta de liberdade e prefere o jugo, é ele que aceita o seu mal, que o procura por todos os meios”.

Ou seja, sem ser cidadão, não se pode exercer a cidadania. O futuro de um país democrático só se constrói pelas mãos de seus cidadãos livres e conscientes. Só pseudocidadãos infantilizados entregam seus destinos a políticos paternalistas”.

Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

Jorge Serrão é Flamenguista. Editor-chefe do Alerta Total. Comentarista Político da Rede Jovem Pan.  A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Apenas solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. © Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 25 de Abril de 2021.

Fonte: https://www.alertatotal.net/2021/04/artigo-142-nao-basta-para-cuidar-da.html


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